Passar por você na rua e fingir não te conhecer tem sido muito difícil ultimamente. Por que eu tenho que me manter intacta, firme e indiferente, enquanto o que eu mais quero é me rasgar inteira e te mostrar todo aquele sentimento que você, sem saber, um dia jogou fora.

Eu quero que você saiba que o olhar desviado pro outro lado da rua é medo desse desejo incontrolável de te abraçar muito, muito forte, na esperança de que você grude em mim pra sempre e não me deixe nunca mais tão solta por aí, mendingando um pouco de carinho de gente banal e desconhecida e procurando restos de amor rejeitado por outras pessoas. Saiba que toda essa indiferença é só amor reprimido e assustado dentro de mim e que toda essa vontade de mudar o mundo é só mais uma utopia que eu inventei pra tentar suprir essa minha vontade de você.

Eu não quero conhecer gente nova, eu não quero novos risos, novas pretensões, novos amores. Eu não quero qualquer possibiliade que não seja você. Eu não quero ir embora daqui, eu não quero crescer, eu não quero evoluir, eu não quero mudança.

Eu quero continuar aqui, insistindo na vida e na felicidade do seu lado, acreditando que você ainda é  tudo aquilo que eu imaginei um dia. Só você consegue de mim o que nem eu jamais consegui. Só você, mesmo sendo o dono de todos os defeitos do mundo, é capaz de merecer tanto de mim. Só você, e mais ninguém.

Conceito: esse Mimo são para aqueles editores de blog que tratam muito bem seus colegas, sejam iniciantes ou já antigos na blogosfera, são para os blogs que conquistam corações!

Lê, ameeei o presente ! e dedico de volta pra você :)

Um pouco errado demais

Eu tô tão cansada de escrever coisas sobre você, de escrever coisas sobre a minha carência, a minha falta de amor por mim e pelo mundo, coisas sobre o quanto eu queria que o tempo voltasse pra eu ser sua de novo e dar valor a isso. E eu fico pensando o quão injusto esse destino, ou sorte, ou acaso, ou sei lá o que se chama essa coisa que faz a gente encontrar pessoas por ai, é. Por que se a gente está meio distraída quando encontra, nunca tem um sinal ou uma luzinha no fim do tunel ou qualquer coisa que seja pra dizer pra gente que SIM, esse é o cara.

Eu quero paz, eu quero vida, eu quero um pouco de distância dessa distância entre a gente. Eu quero tempo do meu mundo que ainda espera por você, pra cuidar um pouco do meu mundo que ainda espera por mim. Esse mundo que tantas vezes foi deixado de lado, em troca de noites acordada ouvindo Flake e tentando entender o motivo de tanta indiferença. E o pior de tudo é ter plena e clara consciência de que você não merece nada disso e continuar insistindo, na esperança de que você um dia seja esperto e perceba que todo esse tempo longe foi puro tempo perdido. E que não dá pra continuar se enganando com outra, enquanto o seu coração sabe muito bem por quem ele bate mais forte.

 Isso tudo pra chegar na mesma pergunta-conclusão em que eu chego sempre: Onde eu tava quando você tava na minha vida?

Eramos nós dois, a tarde fresca e o céu azul de inverno, os meio-sorrisos e as bocas nervosas que o silêncio entre a gente nunca conseguiu calar. Bocas que contavam velhas histórias, que faziam planos para o futuro, que tentavam explicar o sentimento sentido no presente, que agora já virou passado. Um passado tão frio quanto o seu olhar na minha direção. E eu queria entender o que o resto do mundo tem de tão especial que te faz rir um riso tão despretencioso assim, quando eu não estou por perto. E o que torna a sua frieza mais íntima tão visível na minha presença.

Pessoas entram e saem da minha vida, com a mesma facilidade que uma conta de 1+1 são 2, e eu realmente não me importo. A minha relação com tudo que significa ‘todo mundo’ se tornou tão distante e tênue que isso já não me assusta mais. Mas no fim do dia, quando eu já estou cansada de tanto riso, de todas as pessoas e seus comentários preguiçosos sobre coisas sem valor, de tanto ‘todo mundo’ na minha vida, eu espero mesmo é que só me reste você e as lembranças de coisas que poderiam ter sido e não foram. Eu espero que me reste você e aquele seu olhar meio de lado pra mim, quando eu entro naquela sala de cursinho pré-vestibular meio desligada da vida e meio nem aí pra você. O olhar com o mesmo brilho tranquilo e inabalável de sempre, que me enche de incertezas e me empobrece de vida.

Por mais que nós dois estejamos correndo em caminhos tão opostos, por mais que você esteja dedicando a sua atenção e o seu sorriso pra outra agora, por mais que eu pareça tão fria e distante de você, por mais que tudo entre a gente esteja caminhando tão solto por aí, eu continuo acreditando que não vale a pena trocar a incerteza de nós dois juntos de novo pela certeza assustadora e triste que o resto do mundo me causa.

Eu continuo acreditando na gente, e eu continuo acreditando em você. Mesmo que uma parte de mim já esteja enterrada por tantas falsas esperanças e noites frustrantes sem você, a outra parte ainda está aqui, tão cheia de vida, tão clara, tão limpa, tão ilesa, tão pura e – acredite- tão sua.

Tô um tempo sem postar novos textos por aqui, né? Essas duas semanas tô por conta de escola só, e é tanta preocupação com provas, trabalhos e notas que não sobra tempo pra escrever nada sobre essa minha entediante, ainda que agitada, vida. Bom, então na falta de inspiração pra escrever textos próprios, resolvi postar esse, da Martha Medeiros. Espero que gostem. Eu particularmente amei !

 

A MULHER BANANA

Não sei se você já conhecia a Mulher Melancia e a Mulher Jaca. Eu só soube da existência dessas criaturas na semana passada. São duas dançarinas de funk que ganharam notoriedade por possuir quadris avantajados (respectivamente, 121cm uma, 101cm a outra). Essa é toda a história, com começo, meio e fim.

Tem também a Mulher Rodízio, forma bem-humorada que a onipresente Preta Gil se autobatizou, justificando que ela tem carne pra todo mundo.

Pois agora vou apresentar pra vocês a grande novidade desse mercado tão nutritivo: a Mulher Banana.

A Mulher Banana, se tivesse um quadril de 120cm, correria três horas por dia numa esteira. Se isso não adiantasse, correria para uma mesa de cirurgia a fim de tirar uns cinco bifes de cada lado, porque ela considera bundão uma coisa muito vulgar. Faria isso por vaidade, pois acredita que, na prática, não faz a menor diferença para os homens se a mulher tem 90cm ou 120cm. Eu avisei que ela é banana.

Essa questão da vulgaridade quase a deixa doente. Ela não se conforma de que a rafuagem ganhe tanto espaço na imprensa, incentivando um monte de menininhas a também rebolarem no pátio da escola. Ela morre de vergonha ao ver a mãe da Mulher Melancia dizer para um repórter que sente muito orgulho de ter uma filha vitoriosa. Ela se pergunta: pelamordedeus, não existe ninguém pra avisar essa gente que eles perderam o senso do ridículo? A Mulher Banana é totalmente sem noção, coitada.

A Mulher Banana não se dá conta de que há pouco assunto para muito espaço na mídia. Não há novidade que chegue para preencher tanto conteúdo de internet, tanta matéria de revista, tanto programa de tevê, e é por isso que qualquer bizarrice vira notícia. Sem falar que, hoje em dia, tudo é cultura de massa, tudo é passível de análise para criarmos uma identidade nacional. Não, não, não pode ser!! Pode, Mulher Banana.

A Mulher Banana, como o próprio nome diz, é ingênua, inocente, tolinha. Ela acredita que o discernimento nasceu para todos e que ser elegante vale mais do que ser ordinária. É boba, mesmo. Não no mercado das mulheres hortifrutigranjeiras, minha cara. Aliás, mercado ao qual você também pertence. Banana.

A Mulher Banana ainda se choca com certas imagens, com certas fotos. Não que ela não acredite no que está bem diante do seu nariz (já sondei e não tem parentesco algum com a Velhinha de Taubaté). Ela vê, ela sabe, ela está bem informada. Só que não consegue tirar isso pra piada, não leva na boa, não passa batido: ela é tão banana que se importa!!

Aviso desde já que a Mulher Banana não tem empresário, não posa para sites eróticos, não dá entrevistas e muito menos aceita sair de dentro de um bolo gigante usando só um tapa-sexo. Ela é banana. Vai morrer sem dinheiro, só é rica em potássio. E não pense que é movida à inveja. Se fosse, invejaria a bundinha da Gisele Bündchen, que também andou à mostra esta semana e tem um tamanho bem razoável. A Mulher Banana, tadinha, ainda sonha com um padrão estético razoável e um comportamento social menos nanico. Não pode ser brasileira! Mas é, conheço-a como a mim mesma.

E o mundo tá me cansando tanto. Eu olho pras pessoas à minha volta e eu não vejo nada. Apenas um monte de gente burra, superficial e que não faz idéia do quanto têm suas mentes manipuladas pelo mundo, pela mídia, por essa sociedade consumista e pelo prazer fácil e descartável. As pessoas banalizam o amor, banalizam a morte, banalizam a vida. As relações são descartáveis. Você usa o bonitinho da vez por uns dias, e ele claro, usa você também, e depois os dois se jogam fora. E a corrida é pra ver quem vai jogar fora primeiro, você ou ele. Cansei dessa merda toda, sabe. E depois minhas amigas reclamam: Nossa Laura, você não fica com ninguém, todo mundo te acha antipática, e isso e aquilo. E eu tento sabe, eu juro que eu tento. Mas não dá. O mundo dos outros é demais pra mim. Deixa assim, que o meu próprio mundo já me basta.

Nossa, desculpa pelo surto gente. Eu precisava mesmo desabafar.

Eu só aceito a condição de ter você só pra mim…

“Se ela te fala assim, com tantos rodeios, é pra te seduzir e te
ver buscando o sentido daquilo que você ouviria displicentemente.
Se ela te fosse direta, você a rejeitaria.”

Eu bem que tento enjoar de Los Hermanos, mas é IMPOSSÍVEL !

Eu queria tanto ter força e coragem pra olhar nos seus olhos de novo, pra te encarar sem medo de sentir o coração bater forte e sem medo dessa pseudo-felicidade perdida aqui dentro, que se torna tão evidente quando você está por perto e que me assusta, por que ela vem de repente e bate com tanta força que machuca e dói. E tão rapidamente me abandona de novo, me deixando com a sensação de estar tateando o vazio e com a incerteza da procura de algo que talvez nem exista mais.

Eu queria que você não percebesse que o fato de eu fingir não ver você quando você passa rindo com os seus amigos é só medo de encarar a realidade e não ver mais nos seus olhos todo aquele sentimento por mim, que eu via há uns meses atrás. E só o fato de eu tentar esconder esse medo, ele já se torna automaticamente visível, e isso me deprime tanto, por que nem esconder mais os sentimentos eu tenho conseguido.

E eu já acordo de manhã com vontade de dormir de novo, por que, eu juro, ter que encarar a vida é uma dificuldade ainda maior sem você. Por que eu sou fraca e sempre precisei de um motivo maior do que eu pra vida fazer sentido.

Eu ando pelas ruas implorando pra que eu não cruze vocês dois abraçados, cheios de sorrisos, mostrando a alegria que é estar junto pro mundo. O meu lado covarde não ia suportar ver essa realidade assim, tão crua e dolorosa pra mim. Mas o meu lado menina-corajosa, que de vez em quando resolve dar as caras quer ligar, quer falar com você. Mas depois de uma longa briga aqui dentro, como sempre foi a minha vida toda – e claro, não ia ser diferente agora – o meu lado covarde prevalece no fim.

E eu luto, luto, mas não tem jeito, eu sempre vou estar a um passo ou dois atrás de você. E toda essa frieza e esse buraco entre a gente é ainda pior do que o seu não-amor por mim.

Ele estava lá, com a sua rodinha de amigos metidos a machões, parado na minha direção e olhando pra mim com uma latinha de cerveja na mão. Na hora que eu percebi que estava sendo observada, me virei pra ver se conhecia quem tanto olhava pra mim tão fixamente. E foi sim um choque. Eu nunca pensei que o veria de novo depois daqueles dias de prova e muito menos que ele se lembraria de mim. Álias, eu nem sabia que ele havia reparado em mim naquela semana. Mas ele estava lá, e eu sabia que ele tinha se lembrado, e ele, claro, percebeu que eu me lembrei também – esse é um grande defeito meu: ser tão transparente, à ponto de as pessoas enxergarem o que se passa dentro de mim. E não dá pra acreditar até agora que por causa de dois idiotas que sentem prazer em estragar a noite dos outros, eu o perdi de vista. Aquela maldita briga por causa de alguma maldita mulher fez todo mundo correr e naquela confusão ele acabou indo pra um lado e eu pro outro. A minha esperança de salvação da noite tinha ido pra um lado oposto ao meu – só pra variar. Eu enxerguei naquele garoto um recomeço, mesmo que tudo durasse apenas alguns poucos minutos e acabasse ali naquela noite cheia de gente idiota e superficial. Naqueles poucos segundos de olho no olho e de choque total, tudo que estava à minha volta – Jammil e uma noites cantando ‘Pra te ter aqui’, a amiga beijando o carinha bonitinho, os amigos machões, os caras bêbados enchendo o saco de meninas bobas – tudo sumiu. E eu não sei nem o nome dele, nem de que cidade ele é. Eu não sei nada sobre ele, apenas que aquela profundidade toda que ele conseguiu me passar no meio daquela multidão, quando eu achava que a noite já estava perdida mesmo, me fez muito bem !

Eu não resisti e acabei colocando a letra da música aqui:

Me sinto tão sozinho
Porque não vem me ver?
Preciso de carinho
Preciso de você
Me liga,
se liga em mim
Me diga,
se tem mesmo que ser assim?
O meu coração vive na solidão
E eu te pedindo pra voltar pra mim
Ficar do meu lado,
de rosto colado,
com corpo molhado
numa noite assim
Eu te juro
eu te daria o mundo
pra te ter aqui 
- Jammil e Uma Noites

“Mas se ainda existir dentro de você alguma esperança, eu preciso demais que você me abrace e me faça sentir aquilo novamente. É fácil, basta você querer, eu ainda quero tanto.” – Tati Perfeita Bernardi

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